Fusões e aquisições

O que é M&A: o processo, o vocabulário e quando começar

Quem nunca vendeu uma empresa entra na primeira conversa sem o vocabulário que a outra parte usa há anos. Esta página existe para fechar essa distância antes que ela custe dinheiro.

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O processo

O que é M&A?

M&A é a sigla de mergers and acquisitions, fusões e aquisições. Reúne as operações em que o controle ou parte do capital de uma empresa muda de mãos: venda total, venda de participação, fusão entre duas companhias, entrada de um sócio investidor.

O que todas têm em comum é que alguém de fora precisa formar uma opinião sobre quanto a empresa vale, a partir do que consegue verificar.

O que acontece numa venda de empresa, na prática?

O processo costuma seguir uma ordem: preparação da informação, definição de um valor de referência, aproximação com possíveis interessados, carta de intenção, due diligence, negociação final e fechamento.

A etapa que o acionista controla sozinho é a primeira. Depois que a due diligence começa, o que existe é o que existe.

Quanto tempo leva um processo de M&A?

De quatro meses a um ano depois de assinada a carta de intenção, e mais do que isso em operações complexas. Quatro meses é o piso, e ele conta a partir da carta, não do início da preparação.

A fase anterior, de organizar a informação e corrigir o que uma due diligence apontaria, tem duração própria e depende do estado em que a empresa começa.

O que é uma carta de intenção?

É o documento que registra os termos principais acordados antes da due diligence: faixa de preço, estrutura pretendida, prazo de exclusividade e condições para seguir.

Boa parte dela não vincula as partes, mas ela define o ponto de partida da negociação final. O preço que sai dali só cai, conforme a due diligence encontre o que encontrar.

O que é due diligence?

É o exame que o comprador faz antes de fechar. Ele analisa contabilidade, contratos, situação tributária e trabalhista, processos judiciais, dependências operacionais e comerciais.

Cada lacuna encontrada vira argumento de desconto, cláusula de garantia ou condição suspensiva. O que não está documentado não conta a favor. O que está mal documentado conta contra.

Por que o preço muda depois da due diligence?

Quando quem compra sabe menos do que quem vende, a resposta racional é descontar o preço. Isso vale mesmo quando a empresa é sólida, porque de fora não há como confirmar sem prova.

A incerteza numa negociação nunca é neutra. Ela favorece quem compra.

Qual a diferença entre sell side e buy side?

Sell side é a assessoria de quem vende. Buy side, a de quem compra. Os dois lados fazem o mesmo tipo de trabalho técnico com objetivos opostos: um sustenta valor com evidência, o outro procura as lacunas que justificam pagar menos.

A JPrayon atua no sell side.

Que experiência a JPrayon traz?

Dezenas de operações, em setores e portes variados. O M&A da casa não se resume a compra e venda. Valuation, business plan, análise de negócio e estruturação também compõem o trabalho, e cada um passa pelo mesmo tipo de exame que uma transação enfrenta.

No programa Do Diagnóstico ao Deal há clientes em desenvolvimento hoje.

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O vocabulário

O que é valuation?

É a estimativa de quanto a empresa vale, construída por múltiplos de empresas comparáveis, por fluxo de caixa descontado ou por referenciais de mercado. O resultado é um range defensável de negociação.

O preço sai da negociação, e depende de quanto desse range a outra parte consegue verificar.

O que é EBITDA normalizado, e o que faz um Quality of Earnings?

EBITDA é o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Normalizar significa retirar dele o que não se repete: despesas pessoais do sócio, receitas extraordinárias, gastos não recorrentes.

O Quality of Earnings, ou QoE, é o trabalho que faz esses ajustes com documentação capaz de resistir ao exame do comprador. Um EBITDA normalizado sem lastro documental vira desconto na due diligence.

Enterprise value e equity value: qual a diferença?

Enterprise value é o valor da operação, o que o negócio vale independente de como está financiado. Equity value é o valor das ações, o que o vendedor recebe.

Os dois raramente coincidem, e a distância entre eles é onde muita negociação se perde.

O que é o bridge entre enterprise value e equity value?

É a ponte que leva de um ao outro. Parte do enterprise value, desconta a dívida líquida e ajusta o capital de giro em relação a um nível normalizado, mais os itens equiparados a dívida.

Cada linha dessa ponte se discute com documento. Uma negociação bem conduzida até ali ainda perde dinheiro se a empresa não souber defender o próprio capital de giro normalizado.

O que é dívida líquida?

Dívida financeira bruta menos caixa e aplicações.

É um dos itens que mais muda de valor entre a proposta e o fechamento, porque comprador e vendedor divergem sobre o que conta como dívida: parcelamentos tributários, mútuos com sócios, arrendamentos, contingências prováveis.

O que é capital de giro normalizado?

É o nível de capital de giro que a operação precisa para funcionar em ritmo normal, apurado por uma média histórica.

O comprador espera receber a empresa com esse nível. O que faltar em relação a ele desconta do preço, e o que sobrar acresce.

O que é um data room?

É o repositório onde fica a documentação que o comprador vai examinar, organizada por tema e com controle de acesso.

A ordem importa. Documento que o comprador procura e não encontra custa tempo, e tempo em due diligence custa desconto.

O que é earnout?

É a parte do preço que fica condicionada a resultados futuros. O comprador paga uma parcela no fechamento e o restante conforme a empresa entregue as metas combinadas.

Aparece quando as duas partes discordam sobre o futuro do negócio, e transfere para o vendedor o risco dessa discordância.

O que é ratchet?

É o mecanismo que ajusta a participação de cada sócio conforme o desempenho posterior ao negócio. Se a empresa supera o combinado, a fatia do vendedor aumenta. Se fica abaixo, diminui.

O que são cláusulas de garantia e escrow?

Cláusulas de garantia são as declarações do vendedor sobre a situação da empresa, com a obrigação de indenizar o comprador se algo delas se mostrar falso. Escrow é a parte do preço retida em conta vinculada por um prazo, para cobrir essas indenizações.

Quanto menos verificável a informação, maior o escrow e mais longo o prazo.

O que é uma condição suspensiva?

É o requisito que precisa ser cumprido antes do fechamento, sob pena de o negócio não acontecer. Aprovação de órgão regulador, quitação de um passivo, obtenção de anuência de um credor.

Cada lacuna que a due diligence encontra e que não vira desconto tende a virar uma dessas.

O que é uma contingência?

É o passivo possível que ainda não virou obrigação certa: um processo em curso, uma autuação em discussão, uma interpretação tributária arriscada.

Contingência mapeada e provisionada se negocia. Contingência descoberta pelo comprador se paga.

O que é o memorando de informações?

É o documento que apresenta a empresa a investidores e compradores, com o histórico, o posicionamento, os números e a tese do negócio. Costuma ter uma versão curta e sem identificação, o teaser, usada na primeira aproximação.

Cada afirmação dele será conferida na due diligence.

O que são peers e múltiplos?

Peers são empresas comparáveis, de preferência listadas, cujos dados de mercado servem de referência. Múltiplo é a relação entre o valor dessas empresas e um indicador delas, como EBITDA ou receita.

Aplicar o múltiplo dos peers ao resultado da empresa dá um valor de partida, e a distância entre esse valor e o preço final mede o que a empresa não conseguiu comprovar.

Quais são as estruturas possíveis de negócio?

Aquisição total, quando o comprador leva a integralidade do capital. Aquisição parcial, quando ele entra como sócio. Fusão com incorporação de ações, quando as duas empresas passam a ser uma e o vendedor vira acionista da companhia resultante.

Cada estrutura distribui de forma diferente o risco, a carga tributária e o controle sobre o que vem depois.

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Quando começar

Quando faz sentido começar a se preparar?

As correções que mais afetam valor raramente se resolvem em semanas. Governança se constrói, credibilidade contábil se acumula, dependências se dissolvem aos poucos. Por isso a preparação começa antes de existir uma proposta na mesa.

Quem mede cedo escolhe quando e como sentar à mesa. Quem mede tarde senta nos termos definidos por quem mediu por ele.

Preparar a empresa significa que vou vendê-la?

Não. As mesmas características que uma due diligence premia, informação confiável, decisões que não dependem de uma única pessoa, passivos conhecidos e tratados, valem para o acionista antes de valerem para qualquer terceiro.

Uma empresa preparada negocia melhor com bancos, atrai capital em condições melhores e erra menos nas próprias decisões.

Minha empresa é pequena demais para isso?

Toda empresa relevante será avaliada em algum momento, por um investidor, um banco, um sócio ou um comprador.

A única escolha que cabe ao acionista é quem faz essa primeira avaliação, com que profundidade, e se ela vem acompanhada de um plano para agir sobre o que encontrar.

O que são os cinco pilares do diagnóstico?

Ativo e posicionamento, receita e qualidade comercial, estrutura de capital, governança e capital humano. São as cinco frentes que sustentam ou corroem valor, e as mesmas que uma due diligence examina.

Cada uma recebe nota própria, o que separa o que está sólido do que precisa de trabalho.

O que o Diagnóstico de Prontidão entrega?

Uma nota para cada um dos cinco pilares. Um índice único que posiciona a maturidade da empresa numa escala. E um plano de ação com prioridade, prazo e impacto estimado para cada lacuna encontrada.

O que se resolve em semanas, o que exige meses de maturação e o que muda o desfecho de uma negociação.

Preciso contratar o processo inteiro?

Não. O diagnóstico se encerra no plano de ação e não pressupõe a contratação das etapas seguintes.

Como executar cada ação, com apoio externo ou não, é uma decisão que se toma depois, a partir do que o diagnóstico revelar.

Próximo passo

Uma empresa preparada sabe o que vale

O Diagnóstico de Prontidão mapeia os cinco pilares que uma due diligence examinaria e devolve um plano de ação priorizado.

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